O chamado “turismo itinerante” está em crescimento e representa uma oportunidade ímpar para fomentar as economias locais, fora das regiões que tradicionalmente demonstram maior capacidade de atração turística.
Rui Monteiro
Manager da Camping Car Park Portugal
Existem na Europa cerca de 3 milhões de autocaravanas registadas. O facto, por si só, pouco representa, até considerarmos que esses veículos de lazer são sobretudo propriedade de cidadãos séniores, com orçamento disponível e que dão preferência às viagens longas.
Um estudo recente realizado pela maior rede europeia de gestão de áreas de serviço para autocaravanas concluiu que, em 2025, quase 70% dos proprietários destes veículos planeiam viajar durante três ou mais semanas, sendo que 44% planeia ficar mais de um mês no mesmo local. Estima-se que a contribuição económica dos turistas itinerantes na Europa seja superior a 1,5 mil milhões de euros só para o verão de 2025 – um aumento de +10,3% em relação a 2024.
O melhor de tudo isto é que esse mesmo estudo aponta Portugal como o segundo país preferido para as férias dos autocaravanistas, uma preferência só ultrapassada pela Itália. Espanha, que em 2024 era apontado como o destino preferido, caiu este ano para terceiro lugar.
Temos assim uma espécie de tempestade perfeita para atrair turistas itinerantes de rendimentos muito superiores aos dos campistas tradicionais (ao contrário das tendas, as autocaravanas são veículos caros…) que, ainda por cima, olham para Portugal como destino preferencial.
A esta tempestade perfeita só falta uma importante peça: locais capazes de receberem os autocaravanistas, sobretudo tendo em vista o atual quadro legal, que limita fortemente os espaços onde os seus veículos podem estacionar.
Cabe agora aos empresários e responsáveis políticos regionais aproveitarem esta oportunidade e contribuírem assim para o desenvolvimento regional, fomentando condições para a criação e instalação de Áreas de Serviço de Autocaravanas (ASAs), estruturas de apoio que são fundamentais para atrair este tipo de turismo.
Ao contrário do investimento em infraestruturas hoteleiras – difícil de captar, moroso de construir, que envolve custos elevados e retornos incertos – a criação de ASAs é algo que pode ser implementado de forma rápida e, em certos cenários, com custos iniciais praticamente nulos.
Numa altura em que é tão importante medir o impacto ambiental de qualquer iniciativa, sobretudo quando se trata de criar infraestruturas fora dos grandes centros urbanos, este é também um tipo de investimento capaz de atrair turistas, mas sem muitas das consequências negativas para o meio ambiente.
A verdade é que as boas ideias nem sempre são as mais óbvias. Resta-nos encontrar aqueles capazes de terem a coragem e clarividência para as porem em prática.