Diretor do Jornal – Aurélio Gomes | Diretor da Rádio – João Cruz

📻 Rádio Voz de Esmoriz

O atual panorama das praias de Ovar em 2026 revela um cenário de contrastes, onde a resiliência de alguns areais se cruza com a vulnerabilidade de outros perante a força da natureza. A confirmação de que Esmoriz, Cortegaça e Furadouro mantêm a Bandeira Azul é uma notícia positiva para o turismo local, garantindo que o núcleo central do concelho continua a cumprir os trinta e três critérios rigorosos exigidos pela Associação Bandeira Azul da Europa, que abrangem desde a pureza das águas até à segurança e educação ambiental. Contudo, este desfecho sublinha também o recuo face ao pleno histórico de 2019, quando o concelho exibia orgulhosamente seis galardões, incluindo na praia fluvial do Areínho, e nas praias de Maceda e Marretas.

A ausência de São Pedro da Maceda na lista deste ano é particularmente sentida, uma vez que a autarquia pretendia recuperar o estatuto perdido em 2025. O impedimento prende-se com o rigoroso inverno passado, que fustigou a costa vareira com especial violência. A destruição de infraestruturas de apoio, como os passadiços e rampas de acesso, inviabilizou a candidatura, já que a acessibilidade e a segurança dos equipamentos são pilares fundamentais para a obtenção do selo de qualidade. Maceda, tal como o Torrão do Lameiro, sofre o impacto direto da erosão costeira e do défice sedimentar que caracteriza esta região a sul do Douro, onde o avanço do mar tem dificultado a manutenção de serviços permanentes.

No que diz respeito ao Areínho, a situação mantém-se num hiato logístico. Embora a qualidade da água fluvial tenha registado melhorias, as sucessivas intervenções de desassoreamento na Ria de Aveiro — essenciais para a saúde do ecossistema e para a navegação — têm impedido o hastear da bandeira devido aos trabalhos pesados e à alteração temporária da dinâmica das margens. Em suma, enquanto o Furadouro, Cortegaça e Esmoriz consolidam a sua posição como destinos de excelência e segurança, o concelho enfrenta agora o desafio de adaptar a sua estratégia costeira às alterações climáticas, procurando soluções que permitam no futuro devolver o galardão às suas praias mais naturais e flageladas pela força do Atlântico.