Conflito no Sudão deixa 13,6 milhões de crianças com necessidade de assistência humanitária urgente

31 de Maio, 2023 0 Por A Voz de Esmoriz

A violência continua a perturbar a vida de crianças e famílias, que se encontram no meio de uma catástrofe

UNICEF lançou apelo de 838 milhões de dólares para enfrentar a crise, um aumento de 253 milhões de dólares desde o início do atual conflito em abril de 2023

Numa altura em que o conflito ultrapassa as seis semanas, mais de 13,6 milhões de crianças precisam urgentemente de assistência humanitária vital, o maior número já registado no país. O impacto da violência continua a ameaçar a vida e o futuro das famílias e das crianças, deixando os serviços básicos interrompidos e muitas instalações de saúde encerradas, danificadas ou destruídas.

A necessidade de assistência humanitária nunca foi tão crítica para as crianças no Sudão, uma vez que as populações mais vulneráveis lutam para sobreviver e serem protegidas. O acesso às necessidades básicas está a tornar-se cada vez mais difícil de garantir. Antes do conflito, perto de nove milhões de crianças já precisavam urgentemente de assistência humanitária.

“À medida que o conflito no Sudão prossegue, o impacto nas crianças torna-se cada vez mais devastador a cada dia que passa”, afirmou Adele Khodr, Diretora Regional da UNICEF para o Médio Oriente e Norte de África“Estas crianças não são apenas números, são seres humanos com famílias, sonhos e aspirações. Elas são o futuro do Sudão, e não podemos ficar de braços cruzados enquanto as suas vidas são destruídas pela violência. As crianças do Sudão merecem uma oportunidade para sobreviver e prosperar. Nenhum esforço deve ser poupado por todos os intervenientes para proteger as crianças e os seus direitos”.

Uma situação que já era grave para as crianças antes do conflito, atinge agora níveis catastróficos, com acesso a alimentos, água potável, eletricidade e telecomunicações pouco fiáveis ou inacessíveis. Mais de um milhão de pessoas abandonaram as suas casas e estão deslocadas internamente no Sudão, incluindo 319 mil que já cruzaram para países vizinhos, metade das quais se acredita serem crianças.

Sem uma resposta humanitária imediata e abrangente, as consequências do deslocamento, da falta de serviços sociais básicos e da proteção terão efeitos devastadores – e a longo prazo – nas crianças.

O apelo global da UNICEF foi revisto em alta em 253 milhões de dólares para responder às necessidades urgentes adicionais, incluindo a expansão do tratamento de mais de 620 mil crianças que sofrem de subnutrição aguda grave, metade das quais podem morrer se não receberem assistência a tempo.

Adele Khodr acrescenta: “apesar dos desafios do acesso humanitário e segurança devido ao conflito ativo, a UNICEF continua a atuar no Sudão e, juntamente com os nossos parceiros, conseguimos fornecer artigos de saúde, água, saneamento, nutrição e serviços de proteção infantil tão necessários em todo o país”. Mais especificamente, a UNICEF já conseguiu:

  • Entregar 2300 toneladas métricas em artigos de saúde, nutrição, água, saneamento e educação para a população deslocada em Madani e para outros estados em todo o país.
  • Manter os serviços de vacinação em 12 estados, garantindo o fornecimento e a distribuição de vacinas, bem como a segurança e monitorização do sistema de cadeia de frio. Pelo menos 240 mil crianças receberam a dose zero da vacina contra a poliomielite desde o início do último conflito em 15 de abril.
  • Manter mais de 80% dos centros de tratamento de subnutrição em todo o Sudão para crianças com subnutrição grave.
  • Entregar 1.440 caixas de Alimentos Terapêuticos Prontos a Usar e artigos de saúde e higiene para mais de 300 crianças num centro de acolhimento em Cartum. Sem este tratamento, as crianças estariam em risco de morte elevado.
  • Fornecer água potável a 104 mil pessoas através de camiões-pipa, proceder à operacionalização e manutenção e reabilitação de instalações de abastecimento de água; 92 mil pessoas receberam mensagens-chave de higiene e itens não alimentares relacionados à higiene; latrinas foram garantidas para mil pessoas deslocadas internamente.
  • Prestar apoio psicossocial a pelo menos 5.500 crianças e os seus pais traumatizados pela violência no Sudão. Além disso, os sistemas de monitorização foram ativados para denunciar casos de violência contra crianças.
  • Manter um total de 356 centros de Aprendizagem Alternativa em 10 estados, incluindo Darfur Ocidental, e ativar espaços de aprendizagem seguros para 16.812 crianças.
  • Manter operacionais 42 centros de e-learning em Darfur Oriental, Cassala, Mar Vermelho, Darfur do Sul e Nilo Branco, beneficiando 2.520 crianças, e um espaço amigável para crianças em Porto Sudan, beneficiando 117 crianças.    


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