Cortinas do XXII Festival de Teatro de Esmoriz descerradas com a peça “Trincheira Central”

17 de Outubro, 2021 0 Por A Voz de Esmoriz

Na noite deste passado sábado, o Grupo de Teatro Renascer estreou oficialmente o XXII Festival de Teatro de Esmoriz. O evento de abertura decorreu no auditório do antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Esmoriz, sito nos Castanheiros, e contou com uma assistência considerável, embora não tenha lotado visto que ainda se denotou algum “medo social” derivado da conjuntura pandémica que, apesar de se achar mais controlada, ainda persiste.

O Grupo de Teatro Renascer começou o evento ao levar a palco a peça “Trincheira Central”, encenada por Felipe Silva. Como já havíamos mencionado numa reportagem anterior aquando da estreia desta produção, estamos perante uma peça que retrata os dramas e os horrores da guerra, surgindo implicitamente o jogo de poderes, as acusações mútuas, os ódios entre inimigos, a ausência de liberdade e a certeza de um futuro vazio.

No elenco, estariam presentes os soldados Magalhães (interpretado por João Gomes), Silva (representado por Teresa Pinho) e Santos (papel exercido por Filipa Rocha), todos eles votados a um desfecho incerto, longe das suas casas e das suas famílias (isto se ainda as detinham). No meio de um tiroteio ou batalha, o soldado Magalhães é ferido com gravidade, acabando por ficar repousado em cima de uma mina, sem se poder mexer, diante de dois soldados (embora aqui com maior destaque para o soldado Silva que era das suas hostes) que o tentavam ajudar, embora em vão, porque estavam isolados num lugar à espera de um eventual auxílio por via aérea.

Com este enredo trágico, pretendeu-se denunciar as manobras obscuras do poder, a indústria do armamento e o alheamento da civilização que acabam, na sombra, por alimentar as guerras e os seus horrores.

Após a apresentação da peça, seguiu-se a cerimónia solene que juntou personalidades que proferiram assim os mais diversos discursos. Destaque para a presença especial de Gabriela Relvas, actriz e apresentadora de televisão, que foi a Madrinha do Festival.

João Gomes, Presidente da Direcção do Grupo de Teatro Renascer, recordou que com esta peça pretendeu-se transmitir a mensagem sobre a necessidade um mundo mais justo e apontou que muitas vezes o poder salta injustamente de mãos em mãos, mas relembrou que muitas vezes cada pessoa pode ter algum poder, sem que o saiba, para então ter capacidade de mudar o destino e enfrentar as incidências terríveis. Por outro lado, João Gomes enalteceu o prestígio do Festival de Teatro de Esmoriz, considerado como um dos melhores do país, e salientou que muitos dos grupos convidados sentem-se honrados por receber um convite para actuar ao longo do certame. Agradeceu ainda o afinco de Felipe Silva na encenação da peça apresentada.

Alcides Alves, Presidente da Assembleia Geral do Grupo de Teatro Renascer, recordou o percurso meritório da colectividade que, no seu entender, muito tem feito pela produção e divulgação da cultura, mesmo quando os tempos actuais não são os mais favoráveis (devido à pandemia). Voltou a insistir na mensagem humanista que esta peça pretendia transmitir. Por outro lado, reforçou a ideia de que a Câmara Municipal de Ovar tem que continuar a apostar na vertente cultural. Saudou ainda a presença de Gabriela Relvas que veio abrilhantar o Festival.

António Bebiano, Vereador da Câmara Municipal de Ovar, começou por reconhecer o legado do Grupo de Teatro Renascer e garantiu que a autarquia demonstrará certamente o interesse de prosseguir a sua aposta no sector da cultura. Frisou ainda que foi importante escolher uma madrinha ou padrinho do Festival que fosse natural de Esmoriz, o que no seu entender, prestigia o talento que existe também dentro de portas.

António Sá, Presidente da Junta de Freguesia de Esmoriz, admite que, nos dias de hoje, todos os que trabalham em prol do associativismo estão a enveredar por uma caminho nobre, servindo a sociedade. Prometeu que a sua entidade autárquica continuará a manifestar-se disponível para apoiar o Grupo de Teatro Renascer e outros grupos culturais, de forma a manterem a sua dinâmica.

Carla Madureira, Presidente da Assembleia de Freguesia de Esmoriz e deputada da nação, recordou o sucesso dos Festivais de Teatro de Esmoriz já realizados pelo Renascer e a resiliência da colectividade, mesmo em tempos adversos da pandemia. Reconheceu a importância e o valor actual da peça “Trincheira Central” embora confidenciasse que gostaria de ter visto, no final da peça, o soldado Magalhães a ser resgatado com sucesso e, por conseguinte, a fintar a morte. Apelou ainda à comunidade para que compareça aos próximos espectáculos que integrarão os próximos fins-de-semana do Festival.

Gabriela Relvas, Madrinha do XXII Festival de Teatro de Esmoriz, actriz e apresentadora (Porto Canal) de profissão, admitiu que ficou surpreendida pela qualidade da peça apresentada pelo Renascer, realçando o entusiasmo e o empenho de todos os que trabalharam para que a mesma fosse bem-sucedida em pleno palco. Por outro lado, relembrou a influência do curso de Teatro na sua vida, rematando que o mesmo lhe ajudou a gerir emoções, expectativas e as formas de encarar a vida social. Reiterou inclusive que a disciplina de Teatro deveria ser obrigatória nas escolas, visto que seria um óptimo complemento para a formação dos jovens. Agradeceu ainda o carinho com que foi recebida e desejou que esta edição do Festival seja um sucesso.

No final, houve lugar a troca de lembranças.

O Festival irá continuar com vários espectáculos agendados até dia 7 de Novembro. E a qualidade e a diversidade dos conteúdos serão certamente uma realidade a seguir com atenção por parte de todos os que apreciam cultura e teatro.


Seguem-se algumas imagens do evento de abertura

Peça “Trincheira Central” abriu o XXII Festival de Teatro de Esmoriz

Vários momentos de tensão retratam a peça encenada por Felipe Silva.


Gabriela Relvas foi a Madrinha do XXII Festival de Teatro de Esmoriz


Houve troca de lembranças durante a cerimónia solene.