NOVA IORQUE, 24 de julho de 2024 – “A cada semana que passa, as famílias enfrentam novos horrores na Faixa de Gaza. Os ataques devastadores a escolas e locais de deslocados internos continuam alegadamente a matar centenas de palestinianos, muitos deles mulheres e crianças, e a deixar hospitais já sobrecarregados a colapsar sob pressão.
“Vemos crianças que sobreviveram a ferimentos anteriores apenas para serem magoadas novamente. Médicos e enfermeiros sem recursos, a lutar para salvar vidas. Milhares de rapazes e raparigas doentes, famintos, feridos ou separados das suas famílias. A violência e a privação estão a deixar cicatrizes permanentes nos seus corpos e mentes vulneráveis. E agora, com a degradação do saneamento e tratamento de esgotos, o vírus da poliomielite junta-se à lista de ameaças, especialmente para milhares de crianças não vacinadas.
“À medida que as famílias são repetidamente forçadas a deslocar-se para escapar à violência imediata, a situação humanitária é além de catastrófica.
“As agências humanitárias, incluindo a UNICEF, estão a fazer tudo o que podem para responder, mas a situação terrível e os ataques contra os trabalhadores humanitários continuam a obstruir os nossos esforços. Ontem mesmo, um veículo claramente identificado da UNICEF foi atingido por balas enquanto aguardava num ponto designado perto do posto de controlo de Wadi Gaza. Era um de dois veículos a caminho para resgatar cinco crianças pequenas para as reunir com o seu pai depois da mãe ter sido morta. Felizmente, ninguém ficou ferido, e a equipa conseguiu reunir a família. No entanto, neste incidente, como noutros anteriores, as consequências humanitárias poderiam ter sido horríveis, tanto para as crianças que servimos, quanto para as nossas equipas.
“Em suma, não temos as condições necessárias na Faixa de Gaza para uma resposta humanitária robusta. O fluxo de ajuda deve ser desimpedido e o acesso deve ser regular e seguro.
“Há quase nove meses, a ajuda tem entrado em Gaza a conta-gotas. Os civis têm sido privados de abastecimentos. O sector comercial foi dizimado. Isto levou a uma crescente competição pelo pouco que está disponível, ao contrabando de bens para a Faixa de Gaza e agora ao roubo cada vez mais organizado de abastecimentos para ajuda. Isto não só impede os nossos esforços para alcançar as famílias vulneráveis, mas também coloca em risco as nossas equipas e os civis que estamos a apoiar.
“O desafio é exacerbado pelas condições de operação no terreno. Pelo menos 278 trabalhadores humanitários na Faixa de Gaza já foram mortos – um número recorde – enquanto outros são colocados em perigo ou impedidos de fazer o seu trabalho.
“Precisamos de um ambiente de segurança melhorado imediato, incluindo segurança para os camiões de entrega de ajuda, para permitir que os trabalhadores humanitários cheguem em segurança às comunidades que pretendem servir.
“Mais criticamente, precisamos de um cessar-fogo imediato e sustentável. Apelamos a todas as partes deste conflito para respeitarem as suas obrigações ao abrigo do direito humanitário internacional. Devem proteger os civis e as infraestruturas de que dependem. Isto inclui garantir que os civis recebam os elementos essenciais para sobreviver – alimentos, água, tratamento nutricional, abrigo e cuidados de saúde – através de operações humanitárias seguras e desimpedidas.
“Já é mais do que tempo para esta crise acabar, para que os reféns sejam devolvidos às suas famílias e para que as crianças de Gaza tenham um futuro saudável e seguro.”
Nota de imprensa da UNICEF PORTUGAL