Entrevista a Emídio Sousa, candidato pela AD pelo Círculo de Aveiro

1 de Março, 2024 0 Por A Voz de Esmoriz


10 Questões, 10 Respostas para o Futuro da Governação em Portugal

Emídio Sousa, até então Presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, aceitou o desafio de ser o cabeça de lista da coligação Aliança Democrática (PSD-CDS-PPM) pelo círculo distrital de Aveiro. Com quase 64 anos de idade, Emídio Sousa conta com um vasto currículo ao serviço da causa pública, tendo dedicado cerca de 20 anos à actividade política directa na autarquia feirense. Abraça agora a missão de defender os interesses do Distrito de Aveiro, representando a Aliança Democrática liderada por Luís Montenegro.

1. Antes de mais, agradecemos a honra de nos conceder esta entrevista escrita ao jornal, rádio e site A Voz de Esmoriz. O que o motiva a concorrer às eleições legislativas em Portugal no próximo dia 10 de Março?

Não estava a pensar em sair da Câmara Municipal nesta altura. A vida política precipitou-se e tive de aceitar este desafio do presidente do partido, o que faço com orgulho sentido de missão. Vivemos tempos difíceis e desafiantes, com impactos brutais na performance das instituições e dos negócios, nos rendimentos das pessoas, que perdem poder de compra a cada dia que passa, e esses, por si só, já seriam argumentos suficientes para me levarem querer tomar parte na transformação do nosso país.

2 – Quais são as suas principais propostas e objetivos caso seja eleito? Refira, pelo menos, 7 propostas do seu partido que considere prioritárias.

As eleições legislativas definem a composição do parlamento nacional, mas o nosso sistema político prevê círculos eleitorais, o que pressupõe uma agenda local, de que não abdicaremos. Como disse, há inúmeros desafios que se nos colocam, desde logo a saga de sermos hoje um país exportador de pessoas e de talento quando devíamos investir, isso sim, na exportação de bens e serviços.

A nível local, elegemos com prioritárias as áreas das acessibilidades, da saúde, e da economia, propondo, no primeiro caso, a conclusão da variante de Castelo de Paiva, prometida aos paivenses há três décadas, a criação de um novo nó de acesso à A1 entre Anadia e Oliveira do Bairro, o túnel da Cruz (Santa Maria da Feira) e a requalificação do IC2 na zona de Oliveira de Azeméis, para além da requalificação da Linha do Vale do Vouga, essencial para a desejada coesão no seio da Área Metropolitana do Porto. No que toca à saúde, está na hora de fazer avançar a prometida ampliação do hospital de Aveiro e a construção da unidade de saúde mental do Hospital São Sebastião, de Santa Maria da Feira. Quanto à economia, somos pela atração de empresas de base tecnológica e, no concreto, entre outras coisas, vamos promover a reabertura do Centro de Apoio à Criação de Empresas do Vale do Sousa e Baixo Tâmega, de Castelo de Paiva, e assegurar que os terrenos da antiga lota de Aveiro sejam transferidos para o município.

3 – Como pretende abordar as matérias relacionadas com o desenvolvimento económico e a criação de emprego em Portugal?

A nossa aposta passa por captar grandes empresas, grandes grupos económicos capazes de competir em qualquer mercado, por apoiarmos as pequenas e médias empresas, que nos garantam equilíbrio e coesão social. Precisamos de todos e que todos trabalhem para a competitividade e excelência do nosso país. Há que dar oportunidades e ferramentas às pessoas. Não dar o peixe, dar a cana: formação, emprego, salários dignos.

Por outro lado, precisamos de políticas públicas integradas e um novo desafio coletivo onde todos somos chamados a participar. Devemos apostar no investimento qualificado, no emprego qualificado, na mão de obra qualificada, dando aos nossos jovens a oportunidade de vida no nosso país, com um salário digno para uma vida digna, apontando-lhes o mundo como mercado, mas nunca como um espaço de emigração.

4 – Há muitas reivindicações sobre a necessidade da melhoria dos cuidados prestados pelo Serviço Nacional de Saúde em Portugal. Como tenciona promover a melhoria do sistema de saúde em Portugal sem comprometer a sua viabilidade financeira?

A saúde deverá estar no centro das atenções. O desígnio de acabar com as listas de espera é transversal ao nosso país e uma das regiões mais populosas, como o distrito de Aveiro, não passa ao lado dessa realidade. A prometida ampliação do hospital de Aveiro e a construção da unidade de saúde mental do hospital São Sebastião são, em termos de investimento público, os casos que mais saltam à vista.

É evidente a grande necessidade de aprofundar a descentralização na área da saúde, sabendo que é uma tarefa difícil. O setor social deve ser chamado a esta resposta, através da celebração de protocolos. O país deve deixar-se de dogmas ideológicos segundo os quais o estado tem de fazer tudo, há que envolver a capacidade instalada do país, porque no centro da atividade política devem estar as pessoas.

O desígnio de cada cidadão ter o próprio médico de família tem de ser concretizado. Quem não tem médico de família está fora do Serviço nacional de Saúde. E isso é inaceitável.

5 – Subsistem muitos protestos dos sindicatos afectos aos professores. Admite rever o descongelamento das carreiras dos professores?

O nosso presidente, Luís Montenegro, anunciou que proporia o descongelamento das carreiras dos professores ainda nem se sonhava que haveria eleições legislativas em março. Não foi, por isso, uma promessa eleitoral, como a do candidato a primeiro ministro socialista, cujo partido perpetrou o congelamento, mais recentemente disse que não haveria condições para reverter a medida nos termos reivindicados pelos professores e, mal foi marcada a data das eleições, concluiu que afinal já é possível.

6 – O seu programa eleitoral ou do seu partido também prevê dar resposta às queixas dos agentes da PSP e da GNR que exigem igualdade de tratamento e melhores condições profissionais? E em relação aos protestos dos agricultores, têm algum pacote legislativo em equação nesse sentido?

Os casos das forças de segurança e da agricultura são mais dois exemplos paradigmáticos das trapalhadas da governação socialista. A igualdade de tratamento entre forças de segurança é algo que nem deve ser discutido, tal a justeza da reivindicação. Antes da marcação das eleições não era possível para o PS; agora, já é. Quanto aos agricultores, foi o que se viu: não havia dinheiro para apoios prometidos; na sequência dos protestos, o dinheiro apareceu.

7 – O país tem sido inundado, ao nível dos noticiários, com vários casos de suspeitas de corrupção. Como pretende o seu partido abordar a questão da corrupção e promover a transparência na política e na sociedade em Portugal?

O combate à corrupção tem de ser um desígnio nacional e transversal a todos os partidos. Não é, seguramente, com medidas populistas, muitas delas irrealizáveis, que lá vamos. Como também não lá vamos através de julgamentos na praça pública de casos que nem são casos, antes meras denúncias anónimas que dão lugar à abertura de inquéritos. A regulamentação do lobbying, a criminalização do enriquecimento ilícito são apenas dois exemplos do que pode e deve ser feito.

8 – O aquecimento global é um flagelo que está a condicionar a Humanidade. Que medidas sugere para a sustentabilidade ambiental e ainda a pensar na proteção dos animais e da biodiversidade?

Vivemos numa região onde o aquecimento global se faz notar de forma muito particular, através da erosão costeira, já que temos algumas das zonas mais vulneráveis, pelo que é fundamental investir na proteção destes territórios para garantir a proteção de pessoas e bens. Temos, por isso, de caminhar para uma transição para uma economia mais sustentável, e uma sociedade justa e próspera, com uma economia moderna, mais eficiente na utilização de recursos e competitiva, tendo como objetivo atingir a neutralidade carbónica em 2050.

9 – Na área do Turismo, Portugal poderá assumir novas estratégias para captar mais visitantes do estrangeiro?

O turismo contribui decisivamente para a nossa balança comercial e o nosso PIB depende desse de forma decisiva. Temos, pois, de continuar a valorizá-lo.

10- Qual é a sua visão para o futuro de Portugal e o que considera essencial para garantir o progresso do país nos próximos anos?

Não podemos continuar a exportar o que temos de melhor – as pessoas – depois de tanto investirmos na sua formação. Cerca de um terço dos nossos jovens emigram todos os anos, e estamos a falar de emigração qualificada. Para além dos jovens, só em 2022, cerca de 60.000 portugueses foram para outros países à procura de uma nova esperança. Quem fica? Ter um país a desmoronar-se, ter os portugueses a fugirem é pior do que uma bancarrota, porque desta é possível recuperar-se, mas a perda dos nossos jovens mais qualificados compromete irremediavelmente o futuro do nosso país.

É por isso que tenho vindo a defender que o país para ser viável, para ter boa saúde, boa educação, políticas sociais de apoio aos mais pobres, tem de, em primeiro lugar, produzir riqueza Temos de ter um país com ambição e somos diferentes do PS nessa área. A ambição passa pelo desenvolvimento económico e pela melhoria dos salários, o que só se consegue pelo crescimento. E cresce-se pela inovação, pela gestão eficiente dos recursos, pela capitalização de empresas, pela competitividade global.

Agradecemos, desde já, a entrevista que nos concedeu.


Créditos da Foto: D.R.