Jorge Sampaio, antigo Presidente da República de Portugal, faleceu hoje com 81 anos no Hospital de Santa Cruz, na sequência de dificuldades respiratórias.
Nascido em 1939, Jorge Sampaio viria a ser uma das vozes da democracia e liberdade, tendo desempenhado várias funções de prestígio, assumindo-se como um verdadeiro estadista.
Em 1962, participou num movimento estudantil contra o Estado Novo. Foi advogado, presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1990-1995), foi secretário-geral do Partido Socialista (1989-1992), Presidente da República de Portugal entre 1996 e 2006 e Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações (2007-2013). Fundaria ainda uma plataforma global para ajudar estudantes sírios e refugiados.
Ao longo dos seus dez anos de presidência nacional, zelou pela necessidade de estabilidade no país, no entanto, teve que lidar com alguns momentos difíceis – nomeadamente a polémica dissolução da Assembleia da República em 2004, quando Pedro Santana Lopes tinha assumido o lugar de Durão Barroso que aceitou o projecto de liderança da Comissão Europeia. Também havia dissolvido o Parlamento após a demissão de António Guterres em 2001. Em termos de relações políticas internacionais, Jorge Sampaio opôs-se à participação de Portugal na invasão do Iraque (proibindo a participação do exército português na guerra) e não concordando com a visão de Durão Barroso. Em relação à Cimeira das Lajes (2003), Jorge Sampaio acreditava previamente que a iniciativa iria servir para uma resolução pacífica, mas depois seria confrontando mais tarde com os resultados que serviram o efeito contrário e a invasão do Iraque iniciou-se poucos dias depois. Por outro lado, apoiou a autodeterminação do povo timorense (2002), exercendo um grande papel na via diplomática. Também assistiria à passagem de Macau para a República Popular da China (1999). Foi um homem de diálogo e de “pontes”.
Numa das suas últimas intervenções públicas, frisou que “a solidariedade não é facultativa”, pedindo mais generosidade da Humanidade de forma a ajudar os mais desfavorecidos.
Marcelo Rebelo de Sousa, actual Presidente da República, relembrou a personalidade de Jorge Sampaio (a quem chama “um grande senhor da nossa democracia”) e enalteceu que ficou provado que há entre os que nascem privilegiados, e que mesmo assim, convertem a sua vida numa luta pelos mais necessitados.
O Governo decidiu decretar três dias de luto.
Créditos de Imagem: Marcos Borga (Visão)