De 17 a 21 de setembro, Ovar voltou a vestir-se de livros, música e artes para receber a 11.ª edição do Festival Literário de Ovar (FLO). Durante cinco dias, a cidade tornou-se ponto de encontro para escritores, músicos, ilustradores, atores, mediadores e público de todas as idades, num total de mais de 40 atividades, todas de entrada livre.
Entre 11 mesas literárias, 15 apresentações de livros, 6 concertos, 8 oficinas, sessões de teatro ambulante com o Trigo Limpo ACERT e a estreia da curta-metragem inédita “Fui logo a Bela para Todos”, o FLO mostrou, mais uma vez, porque é hoje um dos grandes marcos culturais do concelho e da região Centro.
Conversas que desafiaram o pensamento
As mesas literárias reuniram vozes consagradas e emergentes da literatura e da cultura. A abertura oficial, no Centro de Arte de Ovar (CAO), contou com a presença do presidente da Câmara Municipal, Domingos Silva, e do programador literário Carlos Nuno Granja, seguindo-se uma das conversas mais aguardadas, moderada por Bruno Henriques, que juntou Luís Portugal e Capicua, a partir de uma frase de Vergílio Ferreira.
Ao longo dos dias, nomes como Cristina Carvalho, José Manuel Castanheira, Madalena Sá Fernandes, Manuel Frias Martins e Rui Couceiro, entre outros, partilharam reflexões sobre livros, mas também sobre a vida para além deles.
Música, teatro e cinema a encerrar cada jornada
O FLO voltou a provar que a palavra pode assumir múltiplas formas. Do concerto de abertura “Na Primeira Pessoa”, com Carlos Alberto Moniz, à performance “Para atravessar contigo o deserto do mundo”, de Lúcia Moniz e Pedro Lamares, passando pelos projetos musicais “Canções para beber com Pessoa” e “Anónimos de Abril”, a programação encerrou todos os dias em festa.
O teatro esteve presente com o projeto “Teatro Paraíso”, que levou histórias e emoções numa carrinha transformada em palco itinerante. Já o cinema marcou presença com a exibição da curta-metragem produzida pelo Agrupamento de Escolas de Esmoriz – Ovar Norte – “Fui logo a Bela para todos”, recordando a passagem de Florbela Espanca por Esmoriz e reforçando a ligação entre a educação e a cultura.
Houve espaço para mais três apresentações de livros – “A Dança dos Pássaros Invisíveis”, de Edgar Pedro, por Rui Miguel Almeida; “O Rufo do Tambor que Levamos no Peito”, de Rui Guedes, por Fernando Soares e “Colégio do Templo”, de Nuno Bernardo.
Espaços que respiraram cultura
Do Parque Ambiental do Buçaquinho ao Museu Júlio Dinis, passando pelo Parque Urbano e pela Escola de Artes e Ofícios, a cidade transformou-se numa grande biblioteca a céu aberto, onde as palavras se misturaram com música, imagens e histórias.
Em destaque, também, a entrega de prémios da III edição do Concurso Literário e de Ilustração Júlio Dinis, uma iniciativa conjunta entre a autarquia e o Agrupamento de Escolas Ovar Sul, que prova que a obra do escritor ovarense continua a inspirar novas gerações.
Uma década de literatura a consolidar-se em Ovar
Para o presidente da Câmara Municipal, Domingos Silva, o FLO é hoje “um conceito consolidado, com identidade própria e uma festa que abraça o concelho de Ovar”, mas que continuará a crescer, sempre reinventando novas formas de promover a leitura e a partilha cultural.
Depois de onze edições, o festival reafirma-se como uma aposta ganha. Dez anos depois, restam muitas memórias, mas também a certeza de que Ovar continuará a ser, todos os setembros, uma cidade que valoriza a cultura literária.
Créditos da Foto: Ovar Cultura