Grupo de Teatro Renascer abriu XXIII Festival de Teatro de Esmoriz com homenagens e três regressos ao palco

16 de Outubro, 2022 0 Por A Voz de Esmoriz

Neste sábado à noite, descerraram-se oficialmente as cortinas do XXIII Festival de Teatro de Esmoriz que contou com a presença da madrinha Ângela Pinto, actriz conceituada da nossa televisão, que foi muito acarinhada pelo público. O Festival assumiu um novo formato, proporcionando vários sketches e cenas humorísticas durante a abertura, e com os principais protagonistas a subirem agora ao palco para prestarem as declarações, substituindo a anterior e tradicional mesa solene. Foi igualmente um mega-evento de emoções altas com homenagens prestadas ao Professor Álvaro Cristina Amaral, fundador do Grupo de Teatro Renascer, e João Gomes, Presidente da Direcção da associação mencionada, pela dinamização encetada durante as últimas três décadas. O Festival foi ainda marcado pelo regresso aos palcos de Fátima Ramalho, Francisco Pinho e Alberto Silva.

A celebrar 30 anos de existência e a estrear o seu 23º Festival de Teatro de Esmoriz, o Grupo de Teatro Renascer recebeu ainda felicitações de Ruy de Carvalho, Heitor Lourenço e Felipe Silva, mensagens gravadas em vídeo que foram projectadas sobre a parede do palco e que suscitaram diversos aplausos.

O auditório do Grupo de Teatro Renascer, nos Castanheiros, contou com uma boa adesão, estimando-se que estiveram quase 200 espectadores. A apresentação do evento coube a Rui Nunes que soube manter um estilo de boa disposição.

O XXIII Festival de Teatro de Esmoriz começou com uma pequena representação da Escolinha de Formação do Renascer, prova de que a colectividade continua a potenciar o talento dos mais novos. Seguiu-se o sketch hilariante “Abre a mala, fecha a mala” que juntou em palco João Gomes, Alberto Silva e Francisco Pinho que, com trajes femininos extravagantes, fizeram exercícios de ginástica e providenciaram considerações hilariantes sobre a inflação, o manual do consumidor, os furtos, as intrigas diárias comuns, etc.

Após estas primeiras representações, Alberto Silva deixou a pele de actor e vestiu a de músico, e cantou no palco o tema “amigo”, dedicando a melodia ao fundador do Grupo de Teatro Renascer (já falecido) – o Professor Álvaro Cristina Amaral.

Houve, entretanto, uma apresentação com os mesmos moldes da “Trincheira Central”, embora não assumindo uma matriz dramática que era visível na peça original, visto que houve uma interpretação comediante que motivou inúmeras gargalhadas. Nesse sketch, Fátima Ramalho regressou aos palcos e interpretou “Maria Bazuca” (um papel cénico já com 30 anos de história) que, numa linguagem ousada, engrandeceu o papel feminino nas forças armadas e colocou ordem no quartel, assumindo na brincadeira que era oriunda do MOFAFE (“Movimento das Forças Armadas Femininas”) e ainda relembrou a sua experiência militar hilariante, referindo que usava os tanques (militares) para lavar a roupa. Esteve acompanhada no palco por João Gomes e Teresa Pinho na actuação, num jogo surreal de palavras.

Outra peça protagonizada envolveu Teresa Pinho e Lino Silva (que interpretou a personagem “Babá”). Babá sintonizou numa rádio local para escutar um programa que recomendaria alguns exercícios físicos para ficar com o corpo em forma, contando para esse efeito com a ajuda da sua mulher. Contudo, a locução não incidia sobre uma aula de ginástica, mas sim sobre uma preparação culinária, mais concretamente, sobre a receita de um “Leitão à Bairrada”. Babá passou um mau bocado porque, ao invés de realizar exercícios físicos saudáveis, foi condimentado e quase torturado pela sua esposa devido ao mal entendido, apenas dissipado no final quando o programa radiofónico chegou ao fim.

Também foi apresentado um pequeno excerto do musical Rapunzel com Daniela Nunes (interpretou a mãe da princesa) e Priscila (personificou Rapunzel) em palco. Recorde-se que esta foi talvez a peça que mais prestígio conferiu ao Renascer, durante a sua existência, com palcos lotados de Norte a Sul do País.

As intervenções das personalidades convidadas fez-se, de forma gradual, com subidas individuais ao palco para discursar. Alcides Alves, Presidente da Assembleia Geral do Grupo de Teatro Renascer, elogiou o “suor cívico” dos elementos da colectividade que oferecem o melhor de si para servir a comunidade e desafiou a Junta de Freguesia de Esmoriz a prestar uma verdadeira homenagem ao Prof. Álvaro Cristina Amaral. Valdemar Mota, Presidente da Federação Portuguesa de Teatro Amador, elogiou o intercâmbio cultural do Renascer que visita e traz o seu teatro até às mais diversas localidades do país e que, em simultâneo, convida os mais diversos grupos a actuar em Esmoriz, realçando o papel importante que o Renascer desempenha ao nível da Federação. Carla Madureira, Presidente da Assembleia Geral da Junta de Freguesia e deputada da nação, pediu mais apoios do Ministério da Cultura para suportar estas iniciativas pelo país e enalteceu a resiliência do Grupo de Teatro Renascer que, ao longo de 30 anos, superou diversas adversidades. António Sá, Presidente da Junta de Freguesia de Esmoriz, relembrou o papel determinante do Renascer em formar jovens com o talento cénico, dotando-lhes dos valores humanos, reconhecendo que a sua influência associativa e cívica é crucial na região. António Bebiano, vereador do Planeamento Urbano da Câmara Municipal de Ovar, destacou a independência e o crescimento do Renascer, elogiando a sua capacidade de se reinventar e readaptar-se a cada ciclo da sua existência.

A madrinha do evento, Ângela Pinto, actriz bem conhecida de telenovelas e séries nacionais, natural da freguesia de Pinheiro da Bem-Posta, afirmou que se sentiu lisonjeada por este convite e agradada com o dinamismo do festival. Em relação a memórias antigas sobre Esmoriz, lembra-se do antigo escorrega que existia na Praia de Esmoriz e no qual se divertia no tempo da sua juventude. Recordou que as pessoas não conseguem viver sem a cultura, a arte e a educação. Defendeu mesmo que o Ministério da Educação e da Cultura deveriam estar em total sintonia porque se encontram intercalados.

No final, decorreu uma homenagem a João Gomes que antes tinha agradecido, uma vez mais, a presença do público. Todos os elementos da colectividade prepararam-lhe uma surpresa e subiram ao palco para agradecer o trabalho que encetou ao longo das últimas três décadas. O espírito humilde, genuíno, criativo e trabalhador do actual presidente da associação foi elogiado pela plateia. A sua equipa desafiou-o a aceitar mais 30 anos de serviço em prol do Renascer. Emocionado pelo tributo que lhe foi prestado, João Gomes disse que “sim”, brandindo-se imediatamente um coro de palmas pela plateia.

O XXIII Festival de Teatro Renascer prolonga-se até dia 26 de Novembro, com espectáculos a todos os fins de semana.


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Cartaz Oficial do XXIII Festival de Teatro de Esmoriz