Festividade que tem raízes antes do nascimento de Cristo.
Vários povos, nomeadamente da Babilónia, Grécia, Roma e Egito, de uma forma ou de outra, celebravam o final do inverno e o aproximar da Primavera/Verão, com uma festa, numa perspetiva de aproximação de um tempo de maior fertilidade, com muita música, danças, disfarces, bacanais e outros dependendo dos povos.
Já na nossa era os cristãos e pagãos ou não cristãos continuaram os festejos, mas… os cristãos tinham uma vigilância muito apertada e condenada pela Hierarquia da igreja nos primeiros séculos, porque a origem era pagã e porque a identificavam como devastação diabólica.
Curiosamente eram já realizadas “procissões” com carruagens semelhantes a navios, festas sumptuosas, e os referidos disfarces que permitiam atrevimentos.
Mas como dito atrás a igreja não estava de acordo e no século IV, no Primeiro Concilio tentou acabar com estes festejos, mas sem sucesso. Nos sínodos que se seguiram a igreja foi mantendo a sua posição tentando pôr regras para esses festejos.
Finalmente o Papa Gregório (590-604) decidiu que o jejum começaria na Quarta-Feira de Cinzas e os eventos carnavalescos eram estabelecidos. Mesmo assim nos tempos que se seguiram a Igreja via esses festejos com relutância porque viam as pessoas com disfarces de animais, de idosos, do género oposto, etc. o que constituía um pecado levando algumas pessoas a retratarem–se através da confissão.
Mas como “O Povo é soberano” e estes festejos, chegaram aos nossos dias, naturalmente com evoluções. No nosso País, comemora-se o Carnaval de várias formas, mas normalmente à volta de desfiles de carros alegóricos, cabeçudos, gigantones, muita sátira política, o tradicional enterro ou o queimar do Entrudo (representa o bem e o mal do ano anterior), e muitas escolas de samba.
Portugal levou para o Brasil estes tipos de festejos e lá teve tão grande evolução, que se tornou numa atração enorme para os visitantes do Brasil, acabando por exportar a seu festejar nomeadamente através das suas escolas de samba.
Entre nós atrevo-me a dizer que os locais mais celebres nesses festejos são: Ovar (nossa terra) Loulé, Torres Vedras, Nazaré, Lazarim, Concelho de Lamego e na pequena aldeia de Podence, Concelho de Macedo de Cavaleiros, que se tornou “Património Cultural Imaterial da Humanidade”
Aurélio Gomes – Diretor