Como a rádio Voz de Esmoriz também acompanhou a cobertura autárquica em Espinho, fazemos também o rescaldo destas eleições no concelho vizinho a norte. Ao início, falava-se muito nas ruas espinhenses numa luta a três e numa votação que seria muito fragmentada com poucas margens para maiorias absolutas.
No entanto, Jorge Ratola, candidato pelo PSD à Câmara Municipal de Espinho, reconquistou para os sociais-democratas a autarquia com 35,4% dos votos, e logo com maioria absoluta, alcançando 4 dos 7 vereadores. Por um lado, a boa campanha nas ruas dos sociais-democratas foi decisiva, analisando alguns dos problemas estruturais da cidade. Jorge Ratola, na sua primeira reacção conhecida, terá dito ao jornal Defesa de Espinho – “Vou cumprir tudo aquilo que prometi!”, tendo ainda mencionado: “Queremos colocar Espinho novamente no mapa”.
O PS de Luís Canelas (com 24,3%, 2 vereadores) e a candidatura independente MMC da ainda actual presidente Maria Manuel Cruz (somou 15,3%, 1 vereador) fecharam a lista dos partidos da vereação. Em abono da verdade, Luís Canelas também realizou uma boa campanha e procurou correr contra o prejuízo, mas a divisão interna entre o eleitorado tradicional socialista (que se repartiu pelo apoio entre o PS e a lista independente MMC) teve muita influência neste resultado. Bastava somar ambos os resultados, e provavelmente a luta poderia ter sido taco a taco.
Na Assembleia Municipal de Espinho, o PSD não conseguiu repetir a maioria absoluta que teve no executivo camarário, elegendo 8 deputados num total de 21. O PS elegeu 6, a lista independente MMC conseguiu 3, o Chega obteve 2, a Iniciativa Liberal e a CDU tiveram ambos 1. Por outras palavras, o PSD poderá conseguir a maioria de governação neste órgão com um entendimento directo diante da lista independente MMC ou até com um eventual acordo à direita com o Chega e a Iniciativa Liberal.
Em Paramos, os Independentes (com o apoio do PS e da lista independente MMC) mantiveram a hegemonia que já perdura há mais de 30 anos. Filipe Vieira vai suceder a Manuel Dias, tendo obtido 50% dos votos, com 5 deputados eleitos num total de 9 na Assembleia de Freguesia, mantendo a maioria absoluta. O PSD de Luís Martins melhorou o resultado (31,8%) e elegeu 3 deputados. Por seu turno, o Chega de Carlos Rocha fez-se eleger com 1 deputado (8,9%).
No município vizinho de Santa Maria da Feira, destaque ainda para a vitória com maioria absoluta da candidatura do PSD, liderada por Amadeu Albergaria, que contabilizou 49,3% dos votos.
No panorama nacional
No panorama nacional, o PSD teve os melhores resultados, ganhou mais autarquias (incluindo as principais – Lisboa, Porto, Vila Nova de Gaia e Sintra) e assumirá agora a liderança da Associação Nacional de Municípios. O PSD conseguiu 136 autarquias, mais 9 que o PS que teve 127. Apesar de tudo, os socialistas mantiveram assim um registo aceitável, tendo em conta os resultados negativos nas últimas legislativas.
Por seu turno, a noite não foi nada fácil para a CDU que passou de 19 para 12 autarquias e para o Chega que não foi além das 3 autarquias, quando se previa que o partido de André Ventura pudesse conquistar entre 10 e 15 câmaras municipais. Por sua vez, o CDS-PP manteve as suas 6 autarquias.
O Nós Cidadãos conquistou 2 autarquias e o JPP alcançou uma câmara municipal. Os movimentos independentes contabilizaram 20 câmaras municipais.
A abstenção nacional caiu para os 40,7%.