RUBRICA PROVA DOS NOVE
Nove questões, nove respostas. Vamos saber a opinião de cada um dos candidatos à Câmara Municipal de Ovar. A convidada de hoje da nossa rubrica é Lígia Pode, candidata do movimento AGIR à Câmara Municipal de Ovar, um projecto político que se estreia nestas eleições. Empresária e com formação em gestão, Lígia Pode vai avançar pelo AGIR, pelo que iremos agora iniciar esta entrevista.
1- Olá Lígia Pode. Poderia descrever brevemente o seu percurso profissional e associativo, para que os eleitores conheçam melhor quem é a candidata?
R: Olá, e muito obrigada pelo convite. O meu percurso é pautado por um profundo espírito e trabalho e por uma forte ligação à nossa terra. Sou gestora de formação, e tenho dedicado a minha vida profissional ao desenvolvimento de várias empresas que contribuem para a economia local. Atualmente, sou administradora na OHR S.A, e administradora das várias empresas do Grupo OVARGADO.
O meu envolvimento cívico e associativo é igualmente uma parte importante de quem sou.
Desde 2016, tenho a honra de ser vice-presidente da Câmara do Comércio e Indústria do Distrito de Aveiro, onde trabalho para defender os interesses do nosso tecido empresarial.
Apoio ativamente há muitos anos e de forma regular, muitas associações do nosso concelho.
Fui uma das vozes ativas que se opôs à integração do nosso Hospital na Unidade Local de Saúde de Aveiro, esta foi uma importante causa cívica que abracei com a convicção, de que, devemos lutar pelos nossos serviços de saúde de proximidade.
2- Quais as principais razões que a levaram a apresentar esta candidatura?
R: A minha candidatura é, em primeiro lugar, uma forma de devolver a Ovar tudo o que Ovar me deu. E deu-me muito: deu-me valores, deu-me caráter, deu-me coragem.
Não poderia deixar de aceitar o desafio para liderar a plataforma cívica AGIR, nestas eleições autárquicas, tendo como base uma honra enorme que tenho em ser de Ovar e de querer servir o nosso concelho da melhor maneira possível.
Ovar tem um potencial imenso que, infelizmente, tem sido subaproveitado.
Assisto com preocupação a uma estagnação e uma gestão municipal que nem sempre responde e corresponde às verdadeiras necessidades dos nossos cidadãos.
E porque acredito que podemos e devemos fazer mais e melhor. A plataforma cívica AGIR, que tenho a honra de liderar, é um grupo de cidadãos eleitores independente, que une pessoas de diferentes áreas e sensibilidades políticas, mas com um objetivo comum: um concelho mais humano, dinâmico e próspero, onde todos possam viver tranquilamente e com dignidade. Um concelho de Ovar que cuida de quem cá nasceu e de quem aqui escolheu viver.
Ser independente não é não ter opinião. É ter liberdade; O nosso partido é Ovar.
3. Qual deve ser, na sua opinião, o papel do/a Presidente da Câmara Municipal de Ovar junto da comunidade e que qualidades considera essenciais para desempenhar o cargo?
R: A Presidente da Câmara deve, antes de mais, servir as pessoas do concelho de Ovar.
Uma pessoa próxima, acessível e sempre disponível para ouvir.
O seu papel não é o de governar de cima para baixo, mas sim o de ser uma facilitadora, uma agregadora de vontades e uma impulsionadora de projetos.
As qualidades essenciais para o cargo são, a meu ver, a honestidade, a competência, a visão estratégica e uma enorme capacidade de trabalho.
É preciso ter a coragem de tomar decisões difíceis, mas sempre com o bem-estar da população em primeiro lugar.
Uma boa Presidente da Câmara é aquela que consegue mobilizar a sociedade civil, as empresas e as instituições para um projeto comum de desenvolvimento, com transparência e rigor na gestão dos recursos públicos.
Podemos ter pela primeira vez na história do nosso concelho uma mulher, presidente da Câmara.
4- Acredita que o concelho de Ovar tem potencial para evoluir mais? Em que áreas vê maior margem para progresso?
R: Sem dúvida alguma. Há tanto para fazer.
Ovar tem um potencial extraordinário que está longe de estar esgotado.
Temos uma localização privilegiada, recursos naturais de grande valor, um tecido empresarial dinâmico e, acima de tudo, pessoas talentosas e trabalhadoras.
As áreas com maior margem para progresso são várias. A economia e o turismo são dois pilares fundamentais. Podemos atrair mais investimento, apoiar o empreendedorismo e criar uma marca turística forte, que valorize o nosso património natural e cultural.
A inovação é outra área crucial. Temos de transformar Ovar num município mais inteligente e criativo.
E, claro, a sustentabilidade ambiental. A preservação da Ria, da nossa Barrinha, da nossa orla costeira e da floresta atlântica é uma prioridade absoluta e uma oportunidade para desenvolvermos um modelo de desenvolvimento mais verde e sustentável.
5- Quais são, no seu entender, as principais necessidades do concelho que devem ser resolvidas no próximo mandato?
R: As necessidades são muitas e sentidas no dia a dia por todos os vareiros.
A manutenção e limpeza do espaço público é uma das mais evidentes.
Precisamos de ruas limpas, de jardins mais cuidados e de uma requalificação urgente das nossas estradas.
A habitação com preços incomportáveis é um desafio urgente que exige respostas novas e eficazes. Temos de encontrar soluções para que os nossos jovens e as nossas famílias possam ter acesso a uma habitação digna a preços comportáveis.
A mobilidade é também um desafio.
Precisamos de um sistema de transportes públicos mais eficiente e de melhores condições para a mobilidade suave.
E, claro, o apoio social. Temos de cuidar das crianças, dos nossos idosos e das nossas famílias mais vulneráveis, garantindo que ninguém fica para trás.
6- Caso seja eleita, quais os cinco projetos ou medidas prioritárias que pretende implementar no concelho de Ovar entre 2025 e 2029?
R: O nosso programa é vasto e ambicioso, mas se tivesse de destacar cinco projetos prioritários, seriam os seguintes:
1. Criação do Balcão único Digital – Aplicação onde o cidadão possa tratar de tudo: pedir licenças, inscrever os filhos nas escolas e nas atividades, carregar os passes dos transportes, onde possam reportar os problemas da sua rua, marcar atendimentos presenciais nos serviços municipais, acompanhar processos em tempo real e sem sair de casa, aceder à programação cultural, desportiva e política sempre em tempo real.
E, para responder à população mais idosa a criação de espaços de atendimento municipal em cada uma das 8 freguesias do nosso município.
Esta é uma medida que tem que estar implementada no final do 1º ano de mandato.
2. Criação da Agência “OvarInvest” para atração de investimento e o foco na criação de um ecossistema de inovação.
Onde estará integrado um gabinete de “Via Verde para o Investimento” para tornar os processos de licenciamento mais ágeis e rápidos, apoiando e guiando as empresas e empreendedores que investem ou queiram investir no Município de Ovar.
Terá uma gestão profissionalizada, focada na atração de investimento, no apoio às empresas locais e na promoção externa do concelho.
3. Será imediatamente iniciada a revisão da Estratégia Local de Habitação e do Plano Diretor Municipal.
Criaremos o “Programa Municipal de Apoio à Reabilitação Habitacional” um programa municipal de apoio à reabilitação de casas, que considera, desde logo, o alargamento da zona de ARU – Áreas de Reabilitação Urbana a todas as freguesias do município – e que permitirá os proprietários acederem aos benefícios já previstos, como por exemplo a isenção de IMI/IMT, IVA a 6%, – sem qualquer ónus para as contas da autarquia – e também a programas de apoio nacionais como o “1.º Direito” ou o “Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbana” em que o apoio municipal concentrar-se-á na componente técnica, como a elaboração de projetos e o acompanhamento, garantindo que os proprietários, especialmente os mais vulneráveis, conseguem aceder aos apoios nacionais disponíveis.
Será nosso compromisso também a criação da Carta Municipal de Habitação.
4. Na saúde, criar um Gabinete Municipal de Saúde para coordenação estratégica, focado na saúde de proximidade, com base em parcerias com instituições do setor social e hospitais. O objetivo é reforçar a resposta pública, diminuir o tempo de espera e apoiar os casos mais urgentes, em particular junto das pessoas mais vulneráveis. Por um concelho que cuide de todos, com inovação, humanidade e rigor, onde a saúde é mais acessível.
5. Na educação, Fazer de Ovar um território educador, inclusivo e inovador, onde cada pessoa pode aprender, crescer e participar plenamente na vida comunitária, independentemente das suas características, origem ou condições. Esta visão traduz-se numa transformação profunda que irá posicionar Ovar como:
- Cidade Educadora integrada na Rede Internacional das Cidades Educadoras
- Município Inclusivo de referência nacional em acessibilidade e participação
- Território de Inovação em práticas educativas e sociais
- Comunidade de Aprendizagem ao longo da vida para todas as idades
7- Como descreveria a equipa que a acompanha nesta candidatura?
R: Estou muito otimista e confiante com a equipa que me acompanha.
É uma equipa plural, competente e profundamente empenhada no futuro de Ovar.
São homens e mulheres de todas as freguesias, com percursos de vida e experiências profissionais muito diversas. Temos engenheiros, professores, médicos, empresários, juristas, arquitetos, enfermeiros, entre muitos outros.
O que nos une não são as cores partidárias, mas sim o amor à nossa terra e a vontade de AGIR.
É uma equipa que combina a experiência de quem já deu provas na sua vida profissional e cívica com a energia e a irreverência dos mais jovens.
À medida que nos damos a conhecer nas ruas, nas freguesias e estamos com as pessoas, sentimos cada vez mais apoio.
8- Que posição tem sobre temas emergentes como: a preservação da Ria, da Barrinha e da orla costeira, a mobilidade e os transportes no concelho ou o apoio social a famílias e idosos?
R: Estes são temas centrais no nosso projeto para Ovar.
A preservação ambiental é uma prioridade absoluta. A Ria de Aveiro, a Barrinha de Esmoriz, a Floresta Atlântica e a nossa orla costeira são tesouros que temos o dever de proteger e valorizar.
O nosso programa inclui medidas concretas para a despoluição, a renaturalização e a valorização económica sustentável destes ecossistemas.
No que diz respeito à mobilidade, defendemos um novo paradigma. Queremos um concelho mais acessível, com uma rede de transportes públicos mais eficiente, mais ciclovias e melhores condições para os peões.
O apoio social é a nossa grande bandeira. Ninguém pode ficar para trás. Vamos, em conjunto com as IPSS’s do município, reforçar o apoio aos nossos idosos, às nossas crianças e às famílias mais vulneráveis, com respostas sociais mais adequadas e serviços de proximidade mais eficazes.
9- Na qualidade de candidata, que mensagem final gostaria de deixar aos eleitores do concelho de Ovar?
R: Gostaria de deixar uma mensagem de esperança e de confiança no futuro.
Ovar tem tudo para ser um concelho de excelência, um lugar onde todos tenhamos orgulho de viver, de trabalhar e de criar os nossos filhos.
Mas para que isso aconteça, está na hora de mudar. É preciso AGIR.
O AGIR, é a força dessa mudança.
Somos um grupo de cidadãos independentes, livres de amarras partidárias, que querem apenas o melhor para a nossa terra.
No dia 12 de outubro, cada voto tem o poder de fazer a diferença.
Por isso, conto com todos vós para que juntos, possamos construir um futuro melhor para Ovar.
Está na hora de AGIR!
Agradecemos, desde já, o tempo que nos concedeu.
