O jornalismo e a literatura portuguesa ficaram hoje mais pobres. Mário Zambujal, figura incontornável da comunicação e das letras em Portugal, faleceu esta quinta-feira aos 90 anos. A notícia, avançada inicialmente pela RTP, surge apenas uma semana após o autor ter celebrado o seu nono decenário, a 5 de março.
Mário Zambujal foi um mestre da palavra, capaz de saltar com elegância entre o rigor do jornalismo e a leveza da ficção. Embora tenha começado o seu percurso n’A Bola, passou por redações emblemáticas como o Record, O Jornal e o Tal & Qual. No entanto, foi o pequeno ecrã que o tornou um rosto familiar de todos os portugueses, nomeadamente como o carismático pivô do “Domingo Desportivo” na RTP.
No campo literário, o seu nome ficará para sempre ligado a “Crónica dos Bons Malandros” (1980). A obra, que narra as peripécias de um grupo de criminosos amadores com o Museu Gulbenkian na mira, tornou-se um fenómeno de popularidade, saltando do papel para o cinema (pelas mãos de Fernando Lopes) e, mais recentemente, para a televisão e o teatro musical.
Mesmo aos 90 anos, Zambujal mantinha a chama da escrita bem viva. Em dezembro passado, lançou “O Último a Sair”, uma incursão pelo romance policial que descreveu como o cumprimento de uma promessa pessoal.
Com a sua partida, desaparece um contador de histórias nato, que sabia como ninguém misturar a ironia, o afeto e a portugalidade em cada parágrafo.
Foto: Portal da Literatura