“O céu de Janeiro” (Opinião)

3 de Janeiro, 2024 0 Por A Voz de Esmoriz

O primeiro dia deste ano é marcado pela chegada da Lua ao seu apogeu, o ponto da sua órbita mais afastado da Terra.

Dois dias depois, a Terra atinge o seu periélio, o ponto da órbita de maior proximidade ao Sol. Esta efeméride coincide com o vigésimo aniversário da amartagem (pouso no planeta Marte) do veículo de exploração espacial norte-americano Spirit. Três semanas após esta chegada um veículo idêntico, de nome Opportunity, pousou do outro lado desse planeta. Estas sondas ajudaram a conhecer um um bocado melhor Marte, encontrando indícios de, no passado, ter existido água na superfície marciana.

Durante o início do ano o nosso planeta atravessa o rasto de poeiras e rochas largados pelo asteroide 2003 EH1 ao longo da sua órbita. Consequentemente, por estes dias tem lugar uma chuva de estrelas que parecem surgir de uma região do céu ocupada pelo Quadrante Mural, uma constelação criada no século XVIII por Jérôme Lalande. Apesar desta constelação não constar da lista da União Astronómica Internacional (não aparecendo normalmente em aplicações de visualização do céu), esta chuva de estrelas continua a levar o seu nome: as Quadrântidas. De notar que o pico de atividade desta chuva de estrelas dura apenas algumas horas mas, em condições ideais, pode atingir a centena de meteoros por hora. No entanto, em 2024 este pico, que ocorre ao final da madrugada de dia quatro, coincide com o quarto minguante, Tal facto, junto com a cada vez mais omnipresente poluição luminosa, irá dificultar substancialmente a observação destes meteoros.

Entre o final das madrugadas dos dias oito e dez notaremos como a Lua se vai aproximando aos poucos da direção do Sol, nascendo assim cada vez mais tarde. Desta forma, no dia oito veremos a Lua nascer junto ao planeta Vénus e da estrela Antares, o coração da constelação do Escorpião, enquanto no dia seguinte a Lua situar-se-á junto ao planeta Mercúrio. Finalmente no dia dez a Lua irá nascer junto ao planeta Marte, Por sua vez, no dia onze a Lua situar-se-á numa direção muito próxima da do Sol, dando assim lugar à Lua Nova, não permitindo a observação desta.

No dia doze o planeta Mercúrio atingirá o seu maior afastamento para oeste relativamente ao Sol, sendo a melhor ocasião do mês para se observar este planeta. A partir desta data Mercúrio passará a aproximar-se do Sol, cruzando-se com o planeta Marte no dia vinte e sete.

Na noite de dia catorze veremos a Lua pôr-se junto ao planeta Saturno e à constelação do Aquário. Já aquando do quarto crescente de dia 18 a Lua ter-se-á aproximado de Júpiter, planeta que por estes situa numa região do céu pertencente à constelação do Carneiro. Finalmente a Lua cheia irá ocorrer no dia 25 junto à constelação do Caranguejo.

Boas observações!

Figura: céu a sudeste pelas sete horas e dez minutos de dia quatro. Igualmente é visível o radiante da chuva de estrelas Quadrântidas, assim como a posição da Lua nas madrugadas dos dias oito e nove.


Artigo da autoria de Fernando J.G. Pinheiro (CITEUC e FCTUC)

(imagem adaptada de Stellarium)

Texto enviado pela Agência Portuguesa de Imprensa