“O Município deve ser gerido a longo prazo” – Henrique Araújo

27 de Abril, 2021 1 Por A Voz de Esmoriz

Henrique Araújo, mentor do Movimento 2030, esteve hoje na rádio Voz de Esmoriz, no programa “Expresso da Barrinha”. Começando pela matéria sensível das questões judiciais, reconhece que qualquer pessoa que está em altos cargos se pode sujeitar a este tipo de polémicas. Diz que foi até hoje confrontado com sete casos de investigação, e em dois processos, ficou efectivamente claro que não houve sequer matéria para qualquer acusação contra a sua pessoa. E admite que já foi constituído como testemunha de alguns processos, embora não prefira falar muito sobre isso porque ainda decorrem as investigações.

Ao nível das incompatibilidades com o actual executivo municipal, Henrique Araújo reconhece que estava sobrecarregado de trabalho e de funções, além de que não surgiram as mudanças que reivindicava serem fundamentais para que o partido pudesse enfrentar os novos desafios. Recorda que percorreu, no seu carro, 47 mil quilómetros para ajudar Rui Rio a vencer as eleições do PSD, além de acompanhar, sempre que podia, a realidade do município de Ovar. Henrique Araújo confidencia que recusou a proposta de serviços dentro da estrutura do PSD e, com o seu inconformismo, desejou continuar a servir a terra, exigindo novos prismas de intervenção. Apesar da discórdia que se vislumbrava já cá para o fim, Henrique recusou-se a pedir a demissão, e acabaria então por ser exonerado das suas funções de adjunto do presidente da autarquia ovarense.

Em termos de estratégia ou visão política, Henrique Araújo preconiza que o município deve ser gerido a longo prazo (isto é, a pensar na próxima década, e não apenas nos próximos dois ou três anos), e que o projecto chegou a ser apresentado ao partido social democrata local no âmbito das eleições da concelhia, embora não tenha saído vencedor dessa contenda. Henrique ponderou entre avançar com um novo desafio político ou abandonar definitivamente a carreira nesta vertente, mas acabou por decidir apresentar o seu projecto à sociedade, tendo já recolhido os apoios de alguns colegas que também defendem uma mudança.

Henrique Araújo diz que já existe uma estrutura montada no seu Movimento que não se destinará só às eleições na Câmara e Assembleia Municipais, mas também a todos os sufrágios das juntas de freguesia do concelho. Afirma que tem de haver uma política sólida de investimento e defende a criação de três unidades de gestão que serão geograficamente instaladas no concelho para que se corrijam as assimetrias, valorizando a uniformidade e os padrões que devem caracterizar o território. Haverá um caderno de encargos que será respeitado escrupulosamente, e que todo o mobiliário urbano e os lugares deverão encontrar-se em condições de oferecer qualidade a moradores e visitantes. No seu entender, “Ovar não é Nova Iorque, mas pode ter espaços como Nova Iorque”.

Relativamente ao funcionamento e à orgânica da edilidade, Henrique diz que conhece bem a estrutura funcional da autarquia e isso só por si é já um avanço porque se trata de uma casa em que já trabalhou. Nesse contexto, defende a redução da despesa corrente para cerca de 50% e planeia nomear inclusivamente um Director do Orçamento que controlará aquisições e despesas camarárias. Não concorda, por exemplo, que se ande a mudar de computadores e de equipamentos informáticos todos os anos, quando o seu uso poderia ser prolongado por mais tempo. Henrique Araújo diz que esta gestão de controlo da despesa permitirá libertar mais verbas para o investimento e que o município só assim pode andar para frente, não ficando dependente de outras estruturas superiores de decisão.