O filme “Playback”, realizado por Sérgio Graciano e centrado na figura do músico Carlos Paião, arrancou em grande no fim de semana de estreia: reuniu 11.190 espectadores nas salas de cinema, um resultado que o coloca no topo das produções nacionais deste ano.
Os números, avançados pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual, mostram que a longa-metragem esteve em exibição desde quinta-feira, dia da estreia, até domingo, período em que gerou uma receita de bilheteira próxima dos 77.800 euros.
Com este desempenho, “Playback” ultrapassa “Projecto Global”, de Ivo M. Ferreira, que tinha estreado em abril e alcançado cerca de 9.200 espectadores, passando assim a liderar o ranking do cinema português em 2026.
À escala nacional, e olhando para todas as estreias do período, o filme mais visto continuou a ser “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, que somou mais de 124 mil bilhetes vendidos apenas nesses quatro dias. Desde que chegou às salas, a 30 de julho, a produção já ultrapassou os 485 mil espectadores em Portugal.
Uma homenagem ao homem, não ao mito
“Playback” propõe-se revisitar episódios marcantes da vida e do percurso artístico de Carlos Paião, desde a sua participação no Festival da Canção até ao curso de Medicina que frequentou, passando pelo casamento com Zaida Cardoso. O realizador Sérgio Graciano explicou, numa apresentação em Lisboa no final de julho, que o objetivo foi retratar a pessoa por detrás da lenda, destacando o talento do artista enquanto compositor e letrista.
O papel principal ficou a cargo do ator Rafael Ferreira, selecionado entre mais de duzentos candidatos a um casting. Com carreira iniciada em 2017 e já alguma experiência em teatro, cinema e televisão, o ator assumiu tratar-se do desafio mais exigente da sua carreira até agora, dada a responsabilidade de homenagear a memória de Paião.
O elenco conta ainda com nomes como Laura Dutra, Beatriz Brás, Mariana do Ó, Rita Durão, António Mortágua, Anabela Moreira e Albano Jerónimo.
Uma banda sonora com uma canção inédita
A música do filme foi trabalhada por Paulo Furtado, conhecido também como The Legendary Tigerman, que reinterpretou o repertório de Carlos Paião em conjunto com os músicos que costumam acompanhá-lo e com o próprio Rafael Ferreira. Entre os temas escolhidos está “Lisboa Lisboa”, uma canção que Paião nunca chegou a gravar oficialmente e que Furtado descreve como uma declaração de afeto à capital portuguesa.
O filme é uma produção da Caos Calmo, com argumento assinado por Mário Cenicante e contou com o envolvimento direto de Zaida Cardoso, viúva do músico, no processo criativo.
Quem foi Carlos Paião
Nascido em Coimbra a 1 de novembro de 1957, Carlos Paião morreu prematuramente aos 30 anos, a 26 de agosto de 1988, vítima de um acidente rodoviário. Formado em Medicina, acabou por abraçar a música como carreira, compondo mais de duzentas canções ao longo da sua trajetória — muitas delas hoje verdadeiros clássicos da música popular portuguesa.
Entre os seus temas mais conhecidos contam-se “Cinderela”, “Pó de Arroz”, “Vinho do Porto”, “Souvenir de Portugal” e “Playback”, título que viria a emprestar o nome ao filme que agora lhe presta homenagem. Deixou dois álbuns editados em vida: “Algarismos” (1982) e “Intervalo” (1988).
Paião colaborou também com outras figuras marcantes da cultura portuguesa, incluindo Herman José — para quem escreveu as canções da personagem Serafim Saudade —, além de Amália Rodrigues, Lenita Gentil e Mísia.
Fonte: dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual, via Lusa.
Foto: sicnoticias.pt
