Diretor do Jornal – Aurélio Gomes | Diretor da Rádio – João Cruz

📻 Rádio Voz de Esmoriz

Antes mesmo dos 10 anos, muitas crianças já estão conectadas. De acordo com os dados recolhidos pela SaveFamily, 42% das crianças acedem à internet antes dos 8 anos e cerca de sete em cada dez menores de 15 anos já tem o seu próprio smartphone. Aos 12 anos, mais de dois terços navegam online diariamente, e aos 15 anos 96% está permanente online. O resultado é uma infância híper conectada, com mais de 80% dos menores a passar ao menos uma hora diária frente aos ecrãs e quase 20% a superar as cinco horas aos fins-de-semana, um uso de está já a ter impactos claros: 53,3% dos menores sente stress ou ansiedade quando se lhes limita o uso de telemóvel.

Este cenário ajuda a entender o projeto de lei de um dos grupos parlamentares português entregue na Assembleia da República de proibir o acesso às redes sociais a menores de 16 anos, e que será aprovado ainda esta semana. Uma medida já em processo de implementação em Espanha, empurrada pela suposta incapacidade dos jovens em desenvolverem-se adequadamente em meios digitais que foram criados para os adultos. A proibição em Portugal soma-se a tendência internacional que procura travar a exposição precoce a plataformas baseadas na híper conectividade, na validação constante e no consumo ilimitado de conteúdos online.

Perante esta realidade, o Governo português já tinha proibido  o uso de telemóveis em ambiente escolar. Outros países foram ainda mais longe: a Austrália, por exemplo, aprovou já a lei que proíbe o acesso a determinadas redes sociais a menores de 16 anos. O denominador comum é a necessidade de proteger os menores numa etapa chave do seu desenvolvimento. Contudo, os peritos alertam que as proibições não são uma solução completa: é preciso oferecer alternativas.

Os especialistas em psicologia infantil concordam que adiar o acesso ao smartphone traz benefícios tanto emocionais como sociais. Menos notificações favorecem a concentração, a socialização «cara a cara» e a autonomia real. Além disso, ajudam a evitar que o telemóvel se torne um regulador emocional: de acordo com o Observatório de Hábitos Digitais em Menores da SaveFamily, 53,3% dos menores reconhecem sentir ansiedade ou stress quando lhes é limitado o uso do telemóvel, um sinal de dependência que preocupa os especialistas.