Putin suspendeu participação da Rússia no tratado nuclear

21 de Fevereiro, 2023 0 Por A Voz de Esmoriz

No discurso anual sobre o Estado da Nação, o presidente russo Vladimir Putin discursou em Moscovo e anunciou várias medidas, tendo criticado a postura do Ocidente na guerra da Ucrânia.

Por um lado, voltou a justificar a guerra na Ucrânia como resposta aos recorrentes ataques das tropas de Kiev no Donbass desde 2014 e acusou os Estados Unidos da América de ter preparado, antecipadamente, o exército ucraniano para um longo conflito. O presidente russo acusa Kiev e a NATO de terem começado esta guerra, alegando que a Rússia está a tentar pará-la. O dirigente voltou a fazer comparações polémicas do regime ucraniano com o neo-nazismo.

Vladimir Putin anuncia que a Rússia vai implementar tecnologia que possa desenvolver os meios militares, de forma a alcançar outros resultados no palco de guerra.

No plano financeiro, reitera que a economia russa está estável e que as sanções decretadas pelo Ocidente não têm surtido grande efeito, exemplificando com o reforço dos negócios em rublos (menciona que a moeda russa duplicou o seu valor) com outros parceiros comerciais, o crescimento da iniciativa privada interna, o desenvolvimento da agricultura e a diminuição do desemprego. Descarta o recurso a financiamento estrangeiro.

Putin anunciou ainda um fundo social para as famílias que perderam soldados na Ucrânia, bem como o apoio psicológico aos militares que estão a servir na guerra. Além disso, afirmou que tenciona construir na Rússia novos caminhos de ferro, escolas e hospitais.

O presidente russo adiantou ainda que a Rússia vai suspender a sua participação no tratado (“New Start”) que estabeleceu com os Estados Unidos, o qual limita as estratégias nucleares de ambos os lados. Por outras palavras, a Rússia admite reforçar o seu arsenal nuclear sem olhar a quaisquer condicionalismos.

Acredita-se que, de acordo com estimativas recentes, a invasão russa na Ucrânia causou entre 250 a 300 mil mortes, entre militares de ambas as forças (mais de cem mil mortes para ambos os lados) e entre 30 a 50 mil civis.


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