Conhecemos hoje, finalmente e sem qualquer aviso prévio, a nova composição da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal de Ovar, nomeadamente quem serão os vereadores em regime de permanência e não permanência.
Foi neste contexto que se confirmou aquilo que o PS Ovar sempre denunciou, que foi a falsa narrativa de independência de uma plataforma que, desde o primeiro momento, se apresentou como “alternativa”, mas que, afinal, escondia ligações partidárias bem conhecidas. Hoje é inegável, não há independência onde há militância ativa e direção política. E não há verdade quando se constrói um projeto sobre a ilusão e o disfarce.
Contrariando todas as afirmações de autonomia e diferença, o que agora se revela é um acordo entre o PSD e alguns elementos da plataforma AGIR. A mesma plataforma que, durante meses, acusou os outros de inércia e má gestão, que acenava com auditorias a contas, lançando a suspeição óbvia sobre o executivo, que lançou suspeições infundadas sobre a seriedade dos trabalhadores municipais e que agora, em silêncio e sob o “calor da noite”, negociou lugares e contrapartidas.
Importa, no entanto, ressalvar a coerência e a integridade de alguns membros da AGIR, que se têm demarcado publicamente destas manobras e que mantêm uma postura de respeito pela vontade popular e pelos princípios que dizem defender.
O PS Ovar reafirma que na política não vale tudo. O povo manifestou claramente a sua vontade nas urnas e, embora as coligações sejam legítimas, devem ser claras e do conhecimento de todos, nem que seja a sua possibilidade. O que aqui ocorreu não é uma coligação deliberativa ou uma geringonça parlamentar, fundada na negociação transparente de posições sobre projetos ou orçamentos. É algo mais efetivo, que coarta liberdades e que governa, é um acordo governativo encoberto, com ocupação de pelouros, o que equivale à distribuição de ministérios.
Em termos de ética e transparência, o PSD nacional e o CDS foram, pelo menos, frontais, pois apresentaram-se em coligação, o povo conheceu e escolheu. Em Ovar, esconderam-se os acordos, criou-se uma ilusão de mudança, e enquanto se pregava a “diferença”, negociava-se o poder na calada da noite.
O PS Ovar orgulha-se de ter sempre atuado de forma oposta. Ao longo da sua história, assumimos independentes nas nossas listas, mas com a condição clara de não possuírem filiação partidária e de respeitarem as nossas linhas programáticas e ideológicas. Tudo à vista do povo, nada a esconder. Assim foi no passado, com grandes autarcas, até presidentes, que, vindos de outros quadrantes, acreditaram nas pessoas e nos projetos do PS, com o único objetivo de construir um concelho melhor.
Hoje, mantemos essa coerência e esse compromisso com Ovar. Somos oposição porque o povo assim o determinou, mas uma oposição responsável, que nunca colocará em causa o futuro da nossa terra. Negociaremos sempre de acordo com a exigência do resultado eleitoral, não por conveniência, mas por respeito ao voto e para garantir a viabilidade da gestão e para que medidas do nosso programa sejam executadas. Medidas que, ironicamente, se tornam agora referência da governação dos outros. Se assim for, ficaremos satisfeitos, porque o essencial é o bem do concelho.
Para quem nunca teve ideias, o PS oferece as suas. De boa fé. À vista de todos.
A política deve ser o exercício nobre da confiança pública, não um jogo de sombras e de interesses pessoais. Quando se trai a transparência, trai-se o povo. Quando se negocia no silêncio, apaga-se a verdade. Quando se mente sobre a independência, perde-se a honra. O PS Ovar reafirma o seu compromisso com a verdade, a ética e o respeito pela vontade democrática dos cidadãos. Porque, para nós, a política não é um esconderijo, é um serviço público. Ovar merece clareza. Ovar merece respeito. Ovar merece verdade.
Um Futuro com Rumo
Um Futuro com Todos
Comunicado de Emanuel Oliveira
Presidente da Comissão Política do PS Ovar