Um Laboratório Nacional para a Rastreabilidade dos Produtos da Pesca e Aquicultura

17 de Maio, 2022 0 Por A Voz de Esmoriz

O Laboratório Nacional para a Rastreabilidade dos Produtos da Pesca e Aquicultura, estrutura única no país que permitirá prestar serviços às empresas e atestar a origem geográfica e os métodos de produção de bens alimentares de origem marinha, fundada em conhecimento da Universidade de Aveiro, já tem financiamento garantido, através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

O futuro equipamento, previsivelmente, em funcionamento em 2025, afirma Ricardo Calado, investigador do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) e do Departamento de Biologia da UA, constituirá uma das duas vertentes do CITAqua – Centro de Inovação e Tecnologia em Aquacultura, projeto integrado na Componente 10 (Mar) do PRR, nomeadamente na iniciativa Hub Azul – Rede de Infraestruturas para a Economia Azul, em que este Polo de Aveiro (H4) receberá um apoio de 7 milhões de euros. Este virá a ser a terceira unidade do ECOMARE e será instalado na antiga depuradora de bivalves, recinto da Docapesca, na Gafanha da Nazaré (Ílhavo), em estreita articulação com a Administração do Porto de Aveiro. O ECOMARE é ainda constituído pelo Centro de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (CPRAM) e o Centro de Extensão e Pesquisa em Aquacultura e Mar (CEPAM).

Os sete milhões de euros serão aplicados na instalação e criação da estrutura, mais concretamente, na reabilitação e adaptação do edifício da antiga depuradora, na aquisição de equipamento, contratação de dois investigadores e dois técnicos superiores. Este investimento contribui para a implementação da estratégia da Universidade de Aveiro para o desenvolvimento de modelos sustentáveis de valorização dos recursos vivos marinhos, em linha com a Estratégia Nacional para o Mar e a visão europeia para a Bioeconomia Azul.

O CITAqua terá duas vertentes de trabalho complementares. O já referido Laboratório Nacional para a Rastreabilidade dos Produtos da Pesca e Aquicultura, que prestará serviços a empresas e autoridades nacionais com responsabilidade no setor do mar e dos recursos aquáticos, e o Laboratório para a Produção 5.0 Super-Intensiva de Algas e Bivalves, que estará dedicado à produção e valorização de micro e macroalgas, assim como moluscos bivalves, espécies de níveis tróficos mais baixos que não dependem de rações para o seu desenvolvimento e, embora abundantes na Ria de Aveiro, estão ainda pouco estudadas. Este último laboratório estará vocacionado para desenvolver projetos em copromoção com outras entidades, nomeadamente, empresas.

Revolução azul deve tornar-se cada vez mais verde

O CITAqua trabalhará, portanto, em áreas complementares ao CEPAM. Exemplo da complementaridade e vertente deste, o projeto AquaMMin, apoiado pelo programa operacional MAR2020, dedicado ao desenvolvimento e otimização de um sistema de aquicultura modular multitrófica integrada, implicou a instalação, no recinto do ECOMARE, de oito linhas de produção de três níveis tróficos diferentes que se comunicam e articulam. Os nutrientes não utilizados no nível trófico mais elevado serão o input e alimento dos tanques seguintes na cadeia de produção, maximizando os recursos e permitindo rigoroso controlo de qualidade dos ambientes e da produção em cada nível trófico.

Na base de todos estes projetos, salienta Ricardo Calado, estão princípios de sustentabilidade e da articulação entre os setores do mar e agricultura, traduzindo um lema repetidamente ouvido entre investigadores, técnicos e empreendedores: ‘A revolução azul tem de se tornar cada vez mais verde’. A frase é uma referência não só à crescente necessidade de valorização de recursos marinhos, como algas e plantas marinhas, mas também à articulação com o setor agrícola. Traduzido em ideias concretas e a título de exemplo, Ricardo Calado refere a intenção de estudar uma espécie de pequenos crustáceos marinhos que ocorre na Ria de Aveiro e que consegue transformar a rama das cenouras e casca de batata, subprodutos do sector agrícola, em ácidos gordos ómega-3.

Comunicado partilhado por João Afonso Correia

Serviços de Comunicação, Imagem e Relações Públicas da Universidade de Aveiro